
Às vezes distraio-me tentando endireitar os aparentes equívocos existentes no universo lexical. Algumas palavras parecem ter sido mal escolhidas. Desta vez meu devaneio arrebatou-me enquanto lavava verduras na área de serviço.
Já parou para observar um chuchu? Não acha que é uma palavra muito “delicadinha” para um objeto de formato e aspereza tão másculos? Repare nas características: suas fendas profundas, onde se escondem germes que só saem na base da faca; suas saliências robustas, que lembram músculos hipertrofiados; sua casca espinhosa, capaz de ferir mãos descuidadas...
Observei e cheguei a seguinte conclusão: chuchu não deveria se chamar chuchu. É muito fresco, sensível, afeminado. É como nenê, Dadá, Gugu. Essas palavras pequenas de sílabas repetidas dá a idéia de algo infantil. Irradia dengo.
Observem. O quiabo é que deveria se chamar chuchu, por ser magrinho e visguento. E chuchu muito bem poderia se chamar quiabo, substantivo terminado com a vogal ‘o’, indicador do gênero masculino. Parece até palavrão. Um dia talvez alguém com cabedal para isso perceba o erro e faça a correção. Eu vou fazer minha parte: a partir de hoje para mim chuchu é quiabo e quiabo é chuchu.